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Popeye Rubro Negro
Muito antes do hoje eterno Urubu, o Flamengo teve outro mascote, o marinheiro Popeye. Para entender como o herói criado nos anos 20 pelo cartunista americano E. C. Segar e conhecido durante algum tempo no Brasil como Brocoió foi escolhido para representar o brasileiríssimo Flamengo é preciso voltar ao tempo da II Grande Guerra. Nos anos 40 os conceitos de direito autoral e de propriedade intelectual só estavam plenamente consolidados nos Estados Unidos e em alguns poucos e altamente industrializados países europeus, que desde 1939 tinham problemas mais sérios com que se preocupar. Ao Sul de Tijuana simplesmente não havia legislação competente para proteger os produtos culturais que a indústria do entretenimento da América colocava na praça no ritmo frenético das suas linhas de montagem e começava a exportar em quantidades cada vez maiores para cada vez mais países. No Brasil, assim como na Hungria e na Dinamarca, era comum e absolutamente legítimo fabricar e comercializar produtos com trademarks e copyrights conhecidos mundialmente sem que tivesse que pagar aos detentores dos direitos um centavo de royalties. |
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Essa postura leniente dos americanos refletia uma política externa que buscava aliados em todo globo para a luta contra as potências do Eixo. Esse descompromisso quase mundial com a remuneração dos criadores de produtos culturais valia também para a música e para os livros. Era fácil encontrar em qualquer armazém de Pirapora, Guayaquil ou Clermont-Ferrand a Goiabada do Mickey, os sabonetes Eucalol com suas figurinhas com jogadores de futebol, as incomparáveis Resistências para Ferros Elétricos Flash Gordon ou produtos de nomenclatura semelhante. Não se falava em pirataria industrial, os camelôs eram quase todos cegos ou deficientes físicos e ninguém, nem fabricantes nem consumidores, pensava em pagar nem um tostão para os detentores dos direitos autorais. Foi amparado por essa liberdade legal, a que os cínicos se referem por tradicional esculhambação brasileira, que o sagaz cartunista argentino Lorenzo Molas, radicado no país há alguns anos criou por encomenda do Jornal dos Sports, então de propriedade de Mário Filho, os mascotes dos times cariocas. Parece que Molas não quis ter muito trabalho e pegou logo o que estava mais à mão. E o que estava mais à mão devia ser um exemplar da revista O Gibi porque Molas pegou emprestado os personagens das histórias em quadrinho que faziam mais sucesso naquele tempo. Por força desse empréstimo o mascote do Flamengo ficou sendo o Popeye, por sua força, perseverança e origem marítima comum, o do Botafogo, o Pato Donald por sua inteligência e boa sorte, o Vasco um vice-almirante português por sua, por sua...bem, por aí foi o argentino ischperto para entregar a encomenda à Mario Filho. |
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